TELÊMACO BORBA
Rita Araújo projeta avanços em 2026 após ano de desafios em Telêmaco Borba
A prefeita de Telêmaco Borba, Rita Araújo (PSD), avaliou os desafios enfrentados pelo Município ao longo de 2025, como os impactos econômicos causados pelo tarifaço norte-americano sobre o setor madeireiro, e destacou a expectativa de avanços em 2026. A entrevista integra a série do Blog do Johnny com os prefeitos das regiões dos Campos Gerais e Centro-Sul.
Segundo a prefeita, o início do mandato foi marcado por mudanças na equipe de governo e pela necessidade de um diagnóstico profundo das contas públicas, diante das dificuldades para honrar compromissos. Rita frisou que a administração conseguiu reorganizar a gestão e encerrar o ano com equilíbrio financeiro.
“Talvez outros municípios não pegaram tantos desafios para o primeiro ano, mas nós pegamos e sobrevivemos”, afirmou.
A prefeita também destacou os impactos do tarifaço norte-americano sobre o setor madeireiro, especialmente sobre indústrias instaladas no distrito industrial. Os impactos econômicos ainda são percebidos.
“Aquilo que afeta um, afeta todos, e esse público do distrito é o nosso povo de Telêmaco Borba. Quando uma família perde o emprego lá no distrito, toda a Telêmaco Borba é afetada”, completou.
Ao Blog do Johnny, a prefeita ainda destacou avanços na área da saúde, com a implantação dos atendimentos obstétricos no Hospital Regional, os investimentos em infraestrutura urbana e rodoviária, além das prioridades para 2026. Para esse ano, há a entrega do Centro Comercial na Avenida Horácio Klabin, estrutura para a Polícia Científica e o fortalecimento das políticas sociais.
LEIA A ENTREVISTA COMPLETA ABAIXO:
BJ: Como é que a senhora avalia o ano de 2025 para Telêmaco Borba?
RA: “Bom, é difícil responder para Telêmaco Borba […] Alguns problemas que eu não sabia da existência vieram à tona e a função do gestor é dar solução. Tive que trocar secretário de Saúde no terceiro mês de mandato, troquei secretário de Governo logo em seguida, Secretaria de Ordem Pública mudou de secretário, na Secretaria de Assistência eu também mudei o secretário, hoje é uma secretária. Então, nos primeiros seis meses as peças do xadrez se movimentaram bastante.
Tivemos que passar por um diagnóstico bastante profundo, feito pelo Controle Interno, para que nós pudéssemos quitar situações de reconhecimento de dívida […] e com isso nós tivemos muitas turbulências no início da gestão. E depois, no meio do ano, também tivemos a desagradável surpresa de saber que tínhamos dificuldades de ordens financeiras, para honrar compromissos.
Terminamos o ano com todas as contas pagas, funcionalismo público recebendo em dia, religiosamente, todos os direitos do funcionário público sendo quitados e foi um ano de muita aprendizagem, ele não foi fácil em momento nenhum.
Temos obras que tiveram que ser paralisadas por problemas com as empreiteiras. No momento são três obras, uma delas inclusive já foi finalizada o processo, nós já multamos a empresa, vamos fazer nova licitação, outras duas que estão em processo de laudo. A própria revitalização da Avenida Horácio Klabin, que é uma obra muito importante, foi uma obra muito complexa no seu início e ela causa uma intervenção danada na avenida do principal comércio do Município.
Talvez outros municípios não pegaram tantos desafios para o primeiro ano, mas nós pegamos e sobrevivemos.
BJ: Ao se falar em desafios, lembramos dos impactos do tarifaço ao setor madeireiro e aos municípios dos Campos Gerais. Quais os impactos que as tarifas norte-americanas tiveram nas questões financeiras do Município e para as indústrias em Telêmaco Borba?
RA: “Isso foi muito relevante e está sendo. Eu fui procurada por um dos sócios da Braspine, o doutor Armando, e ele me pediu ajuda: ‘Rita, tudo que nós podíamos fazer como empresários aqui do Distrito Industrial de Telêmaco, nós fizemos. Agora nós precisamos da movimentação e de portas políticas sendo abertas, que o Poder Público nos ajude’.
Fomos à Brasília, vários prefeitos da AMCG. Por exemplo, o prefeito Juca (Sloboda – Jaguariaíva) teve uma queda de arrecadação do seu ISS quase que na faixa de 50% quando houve essa paralisação da Braspine. E nós aqui sentimos bastante esse tarifaço que afetou a madeira engenheirada. A Braspine passou anos da empresa criando produtos específicos para o mercado dos Estados Unidos, mais de 95% dos seus produtos eram para esse mercado.
Nessa semana eles estão iniciando uma nova fase. Ele teve que procurar outros locais, então tem um braço da Braspine iniciando trabalhos no Uruguai, desses ele direcionou um pouco dos funcionários daqui para lá, e ele está iniciando com 200 funcionários de forma presencial. Alguns continuam em lay-off e outros foram demitidos.
Aquilo que afeta um, afeta todos, e esse público do distrito é o nosso povo de Telêmaco Borba. Quando uma família perde o emprego lá no distrito, toda a Telêmaco Borba é afetada.”
BJ: Em relação aos avanços, e eu gostaria de falar de uma das mais relevantes é a implantação dos atendimentos obstétricos no Hospital Regional de Telêmaco Borba, e que registrou o primeiro nascimento no dia 1º de janeiro. Qual a importância dessa reforma para a cidade e para os Campos Gerais?
RA: “Esse hospital para mim é meio como um filho. Há 17 anos atrás iniciou a construção desse hospital. Lá atrás era um hospital para atendimento clínico, mas quando ele nasceu, nasceu robusto – um hospital para 160 leitos. Na pandemia, a UTI Geral que já existe lá funcionou, os leitos clínicos funcionaram, e foi um grande apoio para nós em Telêmaco Borba.
Agora nós temos a maternidade para baixo, médio e alto risco de gestantes para partos, nós temos um pronto-socorro de atendimento à mulher. Hoje a gestante não é só quando ela vai ter o bebê. Se nos meses da gestação ela tiver alguma intercorrência, ela pode ir diretamente no nosso pronto-socorro do Hospital Regional que ela será atendida. Daqui alguns dias abre o ambulatório para cirurgias na área ginecológica, como laqueadura, histerectomia, tratamento de endometriose. Nós temos também uma conversa com o secretário de iniciar um ambulatório de detecção precoce de câncer de mama e de colo de útero e fazer aqueles atendimentos, quem sabe, químio, atendimentos da parte clínica.
Poderíamos dizer que é um hospital da mulher, para tratar nossas mulheres com muito carinho, com muita acolhida, nossos bebês, nós temos uma UTI neonatal funcionando há mais de dois anos, já passaram por lá mais de 300, em volta de 350 prematuros. Naquele dia, terça-feira, estavam chegando dois bebês de Guarapuava, um de Paranaguá, um de Imbaú […] Ele não atende só a 21ª Regional, ele é referência de atendimento ao Paraná.
BJ: Em relação à infraestrutura, grandes obras sendo mobilizadas na região. Um novo viaduto de R$ 17 milhões na PR-160, uma nova obra da trincheira de Telêmaco também sendo mobilizada, pavimentação nova na cidade sendo viabilizada por meio do governo do Estado. O quanto avançou Telêmaco na infraestrutura e até onde pode chegar?
RA: “Nós dizemos que nós somos muito abençoados. Temos obras nossas e temos obras que vêm a nível do Governo do Estado e a nível de federação, como por exemplo a UBS da área 3 através do PAC (Programa de Aceleração de Crescimento). Nós temos a trincheira da Vila Osório, que era um gargalo muito grande. Por ser setor madeireiro, setor de celulose, nós temos a indústria Klabin, a indústria mãe, que a gente chama aqui em Telêmaco, e em Ortigueira, 25 quilômetros daqui, nós temos o Projeto Puma. Então a gente precisa muito do atendimento no setor rodoviário.
O deputado Sandro Alex veio assinar também uma nova trincheira que é ali na entrada da ponte que vai para Harmonia, que vai para a indústria Klabin, que também é um outro gargalo. E com a possibilidade, no futuro, de uma nova rotatória, uma estrutura melhor, em frente a Braspine, que ali também é um setor de movimento muito grande de caminhões de carga. Telêmaco, ela precisa de avançar e muito, porque ela cresce aos saltos.”
BJ: Em relação à pavimentação da cidade, como o Município está trabalhando nas obras de asfalto nas ruas da cidade?
RA: “Nós temos na área urbana de Telêmaco, eu diria sem sombra de dúvida, mais de 95% das nossas ruas asfaltadas. São muito poucas as ruas que precisam de asfalto. O deputado Hussein Bakri, que tem nos ajudado muito junto com o Alexandre [Curi], são os nossos deputados que conversam com o Governo do Estado.
Nós temos uma área entre Telêmaco, Caminho de Tibagi, que ela foi criada como um projeto do Governo do Estado, que é uma vila rural. Ela iniciou com 40, 50 casas e a característica dela era para ser rural. Mas ela foi se ampliando e hoje nós temos agricultores e temos pessoas que não são da área de agricultura. Ali é um local quase como um distrito de Telêmaco Borba. O deputado Hussein nos pediu: ‘façam o projeto e vamos enviar à Secid. Vamos ver se a gente consegue asfaltar’. Acredito que são cerca de sete quilômetros.”
BJ: Qual a importância dessa parceria do Município com o Governo do Estado e dessa parceria que os deputados têm tido com o Município para trazer novos investimentos para a cidade de Telêmaco Borba?
RA: “A começar pelos federais. Sandro Alex e Beto Preto são, inclusive, deputados do meu partido e eles têm carregado suas secretarias. Sandro Alex pela Secretaria de Infraestrutura e Logística, as obras da área civil, a obra da área de construção e infraestrutura e todas as questões na área de saúde através do secretário Beto Preto, o Estado vai assumir a nova hemodiálise que nós vamos construir com terreno doado ao Município, construído pela Klabin e cedido ao Estado para fazer a gestão. Temos aí a possibilidade de um ambulatório médico de especialidades, a construção de uma unidade mista de saúde. É através desses dois deputados que também são secretários de Estado a boa relação com o governo do Estado.
Com relação aos estaduais, o Alexandre Curi é deputado nosso há 20 anos. A nossa caminhada passou do nível político e é amizade pessoal. É uma pessoa que eu carrego no meu coração, assim, me é muito cara. E nesse processo, através das mãos do Alexandre Curi, o deputado Hussein Bakri, que é o líder do governador dentro da Assembleia Legislativa, também chegou conosco. Tem nos ajudado muito na segurança pública.
Nós devemos entregar a nova instalação da Polícia Científica junto com o IML, atenderá 14 municípios. É uma instalação, um prédio e um grupo de trabalho robusto, muito bem montado. Recebemos também essa semana a visita dos novos agentes da Polícia Civil. Nossa Polícia Civil hoje conta com quatro delegados, mais um delegado-chefe, mais três, um adjunto e outros dois. Vários agentes hoje judiciais.
Vamos receber também uma unidade prisional para mais ou menos 400 vagas. Saímos de uma cadeia pública no centro da cidade, que parece mais um caldeirão, para uma unidade prisional com oito módulos, funcionando vários serviços. Delegacia cidadã, também tipo 2, funcionando uma unidade de atendimento a mulheres em situação de violência. Isso tudo acontece também pelas mãos de pessoas que nos conduzem a Curitiba, que tratam com o governador de forma direta e que olham o Telêmaco Borba com muita sensibilidade.”
BJ: Pensando neste ano, quais serão as prioridades da gestão para 2026:
RA: “Queremos entregar o nosso Centro Comercial da Avenida Horácio Klabin, depois de todo reformado. Vai ficar em um espaço muito bonito, tem cinco áreas de descanso, terão vagas de estacionamento, bancos, árvores fotovoltaicas. Queremos entregar até a metade do ano.
Logo após à entrega à Polícia Científica, faremos a criação dos módulos avançados de segurança pública nos bairros. Vamos iniciar com três bairros, mas nosso objetivo é chegar a nove. Ou seja, descentralizar a Guarda Municipal […] Outra coisa que nos dá orgulho é que o último feminicídio em Telêmaco Borba ocorreu em 2022. No Brasil, ano passado, teve redução de 13%; no Paraná, de 15%; e em Telêmaco, de 75% no índice de feminicídio. Recebemos uma delegada que vai trabalhar especificamente nessa área de violência doméstica, proteção a mulheres em situação de violência.
Temos uma demanda diferenciada das famílias atípicas, com crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Tanto na educação quanto na saúde, estamos criando serviços e fortalecendo o atendimento da criança e das famílias. Na Cultura, queremos também fazer uma reforma na parte externa da Secretaria de Cultura, teatro que tem acústica de ponta.
Temos tantos projetos caminhando na área de Esportes. O paradesporto tem atendido com muito respeito, entregaremos também o minicentro, espaço para jogos com pista de caminhada e de atletismo […] muitas obras excelentes ainda por serem entregues. Esse ano queremos publicizar todas as filas de espera que temos, seja na saúde, no esporte, na educação […] A população precisa saber para que seja transparente e funcione ‘redondinho’”.
BJ: Este ano também tem Eleições. O que esperar para o Governo do Estado? Se identifica com algum candidato?
RA: Eu sou do PSD, partido do governador Ratinho Junior, que fez um governo irretocável. Torço para que o grupo não se divida. O grupo tem muito a perder se não fizerem uma boa composição, hoje seria o grupo mais forte. Tenho apreço, lealdade e compromisso com o deputado Alexandre Curi. Se ele sair candidato ao Governo do Estado, terá a minha lealdade, trabalho, o meu ‘bater poeira’. Torço muito para que isso possa acontecer.
Sobre os deputados já falei do meu compromisso. Beto Preto, Sandro Alex, Hussein Bakri, e o meu compromisso maior com o Alexandre.